Grande História
O longo desdobramento do cosmos, da Terra, da vida e da humanidade: 13,8 mil milhões de anos de emergência, complexidade e contingência, dos primeiros átomos às primeiras cidades, contados como uma única narrativa coerente.

Uma humanidade florescente que aprende a habitar a Terra tal como ela é — finita, dinâmica, interligada — cultivando, geração após geração, uma cultura em que a nossa espécie e a biosfera mais ampla coevoluem em conjunto.
A GLOBAÏA dá forma à realidade planetária. Como kosmógrafos no cruzamento da ciência e da arte, criamos as intrincadas visualizações planetárias, filmes animados, mapas, cronologias, experiências interactivas e quadros conceptuais que tornam o sistema terrestre legível e sentido — ao serviço de cientistas, educadores, redes da sociedade civil e de um público mais vasto que aprende a habitar o Antropoceno.
As crises convergentes de hoje não são apenas falhas de política ou de concepção, mas falhas de percepção. Ao lado das instituições e das tecnologias, as visões do mundo encontram-se entre as alavancas mais poderosas pelas quais as sociedades se transformam. Cada visualização que criamos é uma tentativa de alinhar a forma como vivemos com aquilo que sabemos.
A GLOBAÏA nasceu da urgência. A urgência de compreender, e a urgência de agir.
Vivemos um momento em que as actividades humanas alteram o Sistema Terrestre à escala planetária — atravessando limiares críticos, reconfigurando as condições sob as quais a civilização emergiu e ultrapassando as instituições destinadas a governar a mudança. Vastas equipas internacionais de cientistas trabalham em concerto para cartografar estas tendências. Ainda que um retrato sem precedentes da biosfera esteja a ganhar nitidez, as respostas técnicas e políticas, por si só, não bastarão. O que também é necessário é uma transformação mais profunda nos modos como percebemos, imaginamos, valorizamos e habitamos o mundo.
A nossa convicção é a de que muitas das crises convergentes de hoje não são apenas falhas de política, de governação ou de concepção, mas falhas de percepção: a incapacidade de apreender a raridade, a fragilidade, a complexidade e o carácter partilhado do mundo vivo de que dependem todas as sociedades. Cada um de nós carrega uma visão do mundo — cosmovisión em espanhol, Weltanschauung em alemão — herdada da nossa educação, do nosso ambiente, da nossa época, em larga medida inconsciente e difícil de discernir. Contudo, as visões do mundo moldam comportamentos, escolhas e decisões. A par das instituições e das tecnologias, representam uma das alavancas mais poderosas pelas quais as sociedades se podem transformar.
Um futuro viável não dependerá apenas de melhores ferramentas e instituições, mas da emergência de visões do mundo mais à medida das realidades da Terra como um todo finito, dinâmico e interligado. É esta a aposta da GLOBAÏA.
No cruzamento da ciência, da arte e da filosofia, agimos como uma incubadora de novas representações do mundo — mapas, cronologias, visualizações interactivas e quadros conceptuais adaptados às realidades socioecológicas contemporâneas. Como kosmógrafos*, damos forma ao invisível: os ritmos do tempo profundo do clima, a aceleração do empreendimento humano, as fronteiras frágeis que sustentam a vida. Traduzimos a complexidade em imagens que atravessam línguas e culturas — porque um planeta partilhado exige um olhar partilhado.
A ciência revela estruturas, relações, limites e trajectórias que de outro modo permaneceriam obscuros. A arte dá forma, atmosfera e ressonância emocional àquilo que a ciência expõe. Em conjunto, fomentam uma compreensão mais lúcida, mais encarnada e mais amplamente partilhada da Terra e do lugar que nela ocupamos.
Por estes meios criamos narrativas visuais para cientistas, educadores, cineastas e instituições — incluindo no âmbito da «terceira ONU», as redes informais de investigadores e organizações da sociedade civil que moldam as políticas globais. O nosso trabalho chegou ao público através da Netflix, da BBC, da TED e da comunidade científica, sempre ao serviço do mesmo propósito: tornar o estado do planeta legível, sentido e impossível de ignorar.

O nosso trabalho explora quatro temas entrelaçados — janelas sobre uma mesma questão coerente: como aprendemos a habitar a Terra tal como ela é?
O longo desdobramento do cosmos, da Terra, da vida e da humanidade: 13,8 mil milhões de anos de emergência, complexidade e contingência, dos primeiros átomos às primeiras cidades, contados como uma única narrativa coerente.
As condições, processos e interdependências que sustentam a habitabilidade do sistema terrestre: os padrões climáticos, os ciclos biogeoquímicos e as relações ecológicas em que todas as sociedades estão inscritas e de que todas as economias dependem.
A era em que a actividade humana se tornou uma força geológica, reconfigurando os sistemas planetários a ritmos sem precedentes na história da Terra: a Grande Aceleração, a perda de biodiversidade e a convergência de crises socioecológicas que definem o momento presente.
A procura de caminhos para um futuro justo, regenerador e duradouro: os quadros de governação, os compromissos éticos e as reorientações civilizacionais necessárias para sustentar tanto o florescimento humano como uma biosfera próspera.
Estes temas convergem na ideia de cosmofania: a convicção de que a formação das sociedades e o desenvolvimento das civilizações devem permanecer enraizados numa compreensão atenta da realidade observável — das suas estruturas, processos, padrões, ciclos e fenómenos. Um progresso civilizacional duradouro não pode assentar na ilusão, na negação ou no estranhamento do mundo, mas deve manter-se responsável perante a compreensão mais vasta e rigorosa que sejamos capazes de alcançar da Terra, da vida e do cosmos.
O Antropoceno começou. Para o atravessarmos como seres esclarecidos é necessária uma visão excepcional.
Wo aber Gefahr ist, wächst das Rettende auch.
Onde cresce o perigo, cresce também aquilo que salva.
— Friedrich Hölderlin, Patmos (1803)
*Um kosmógrafo, do grego kosmos (ordem, mundo) e graphia (escrita, desenho), vai além da cosmografia tradicional. É uma prática interdisciplinar que conjuga ciência, filosofia e artes para retratar o mundo conhecido como um todo interligado, em evolução e esteticamente coerente.
An immersive, soothing voyage to abstract infinity awaits. Best with long, slow space-ambient music — whatever lets you drift — your screen full, and nothing asked of you for a while.